O escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) criticou o Pix em relatório divulgado nesta segunda-feira (1º), ao afirmar que o sistema brasileiro de pagamentos instantâneos recebe tratamento preferencial que prejudicaria empresas norte-americanas do setor financeiro, como Mastercard, Visa e WhatsApp Pay.
Segundo o documento, o Banco Central favoreceria o Pix por meio de regras que garantem vantagens competitivas ao sistema público de pagamentos. O USTR argumenta que a exigência de integração e visibilidade do Pix em instituições financeiras criaria condições consideradas "injustas e discriminatórias" para concorrentes privados estrangeiros.
O relatório também questiona o papel do Banco Central como regulador e operador do sistema, apontando um potencial conflito de interesses. Para o órgão norte-americano, a estrutura atual teria contribuído para fortalecer o Pix em detrimento de outras soluções de pagamento eletrônico.
As críticas fazem parte de uma investigação comercial iniciada pelo governo dos Estados Unidos há cerca de um ano para avaliar supostas práticas consideradas desfavoráveis a empresas americanas no mercado brasileiro. Entre as recomendações do relatório está a possibilidade de adoção de medidas comerciais contra o Brasil, incluindo tarifas de até 25% sobre determinados produtos brasileiros.
O governo brasileiro e empresas afetadas poderão apresentar manifestações até 15 de julho, prazo estabelecido pelo USTR antes de eventual adoção de medidas corretivas.
Criado pelo Banco Central em 2020, o Pix transformou o mercado de pagamentos no Brasil ao permitir transferências instantâneas e gratuitas para pessoas físicas. Atualmente, o sistema movimenta volumes financeiros superiores aos registrados por cartões de crédito e débito no país, consolidando-se como principal meio eletrônico de pagamento utilizado pelos brasileiros.
Especialistas ouvidos sobre o tema avaliam que a crítica dos Estados Unidos está relacionada à perda de espaço das grandes redes privadas de pagamento. Para eles, o avanço do Pix demonstra a capacidade de uma infraestrutura pública competir com modelos privados tradicionalmente dominados por empresas globais.
O debate ocorre em um momento de crescente disputa internacional por sistemas de pagamentos digitais, considerados estratégicos para a autonomia financeira e tecnológica dos países.